segunda-feira, 18 de abril de 2011

Flaskô!

Um dos problemas do anarquistas hoje em dia, é mostrar que tem um acervo de idéias que pode ser posto em prática. Uma proposta de sociedade economicamente viável. Com a queda da URSS, muito mais por uma questão de preconceitos da população civil do que por qualquer outra questão, a critica ao capitalismo perdeu vozes e oportunidades de dialogar com as pessoas. Criticar capitalismo tornou-se um comportamento de época, uma época que se foi.

Então trago-lhes aqui, um exemplo palpável do que querem os anarquistas. É necessário lembrar, que não sonhamos algo novo, mas que é muito velho e plenamente possível.

Eis aí um documentário sobre a Flaskô!

Parte 1:

http://www.youtube.com/watch?v=ZVL6VOjjeew&feature=player_embedded#at=67

Parte 2:

http://www.youtube.com/watch?v=kAB37W6PZpo&feature=related

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Do "livre mercado"

Este post é somente uma sátira, em forma de resposta, ao post do Diego, que é deveras esclarecedor, todavia.

Não me prestarei a detalhes, já que eles se encontram nas entrelinhas - a se tratar desta extirpe supracitada.

-  http://www.youtube.com/watch?v=M40ujJ8R5nM


O mercado é a música; nós somos os "atores" (por isso estamos fantasiados) seguindo o "curso natural e espontâneo" das coisas.


Reparem como somos todos pomposos e, devido a "gratidões divinas" em função de respeitarmos o curso das coisas, podemos nos destacar em alguns momentos; o único mal ocorre quando a música para - pois se supõe que não se pode dançar de outra forma.

Alguns hão de dizer que, o narrador que se ouve ao fundo, é o Estado, que se intromete no "curso natural das coisas" e dita ordens arbitrárias.

Ou seja, aqui chegamos no ponto principal: elevam o estado a condição de entidade, a ponto de, para justificar tal alegação se supõe que ele esteja "além" do cenário dessa suposta "ordem natural", não que ele faz parte dela - jamais!

Vaidosos.. rs

Não há de se espantar tanto, todavia; não pode ser menos do que um poderoso vilão, aquele que tem poder de intervir no "curso natural das coisas", e ainda permanecer ileso, indelével.

Primeira premissa para se ir à uma guerra - ter um inimigo.

Mas o tolo não deixa de ser tolo quando finge-se de tolo, apenas dentro de si mesmo é que ele se regozija e pensa ser o esperto. A vaidade lhes leva a vestir qualquer carapuça.

quarta-feira, 30 de março de 2011

A critica ao capitalismo e a proposta mutualista I: a ficção do fruto

Pretendo trabalhar nestes pequenos artigos de blog que chamarei de “A critica ao capitalismo e a proposta mutualista” as diferenças que existem entre os modelos de produção capitalista e mutualista. O objetivo é entender as diferenças entre os dois modelos bem como as conseqüências dessas diferenças, que por vezes começam com detalhes pontuais e progridem ao absurdo do imprevisível.

O ponto critico e fundamental que difere o mutualismo do capitalismo é a forma de “propriedade privada” que ambos modelos usam. Acontece que os mutualistas não classificam, de imediato, a propriedade privada como algo que só pode existir em uma sociedade capitalista, ou como se a propriedade privada desaguasse necessariamente em uma sociedade capitalista. Se considerarmos propriedade privada, como o modelo de propriedade típico de uma sociedade capitalista, ou seja, aquele modelo de propriedade proposto pelos liberais e pelos iluministas, aí sim, podemos dizer que em mutualismo não há propriedade privada. No entanto, o primeiro problema de tratar este assunto é que a maioria dos “tolos” sempre se ateve ao “sabor das palavras”. Ou seja, algumas pessoas, sejam anarquistas, socialistas, liberais, preferem ler a palavra pelo que ela diz e não pelo que o locutor quer apresentar com ela. Então, certamente diria o tolo: “propriedade privada é tão somente o direito do cidadão de fazer o Estado e seus semelhantes respeitarem o acervo de bens que compõem seu patrimônio”. Pela palavra, e tão somente pela palavra, a propriedade privada é tão somente esse direito de um ser humano “ter a coisa”. Direito que existe em ambos os modelos.

No entanto não é de ter coisas, que vive o capitalista. Capitalismo só é o que é, porque além do direito que o capitalista tem sobre a coisa, ele tem alguns outros. Adam Smith nota que:

[…] momento em que o patrimônio ou capital se acumulou nas mãos de pessoas particulares, algumas delas naturalmente empregarão esse capital para contratar pessoas laboriosas, fornecendo-lhes matérias-primas e subsistência a fim de auferir lucro com a venda do trabalho dessas pessoas ou com aquilo que este trabalho acrescenta ao valor desses materiais. Ao trocar-se o produto acabado por dinheiro ou por trabalho, ou por outros bens, além do que pode ser suficiente para pagar o preço dos materiais e os salários dos trabalhadores, deverá resultar algo para pagar os lucros do empresário, pelo seu trabalho e pelo risco que ele assume ao empreender esse negócio. Nesse caso, o valor que os trabalhadores acrescentam aos materiais desdobra-se, pois, em duas partes ou componentes, sendo que a primeira paga os salários dos trabalhadores, e a outra, os lucros do empresário, por todo o capital e os salários que ele adianta no negócio. (SMITH, Adam; 1996, pág. 102)

E também nota que:

[…] não poderia ter interesse algum em empenhar esses bens, se não esperasse da venda do trabalho de seus operários algo mais do que seria o suficiente para restituir-lhe o estoque, patrimônio ou capital investido; por outro lado, o empresário não poderia ter interesse algum em empregar um patrimônio maior, em lugar de um menor, caso seus lucros não tivessem alguma proporção com a extensão do patrimônio investido.(SMITH, Adam; 1996, pág. 102)

Dessas duas passagens, podemos concluir que o capitalismo não é a simples detenção dos bens, mas o regime onde uma pessoa tem direito aos frutos do próprio patrimônio, como se “frutificar” fosse uma característica inerente a toda coisa que torna-se patrimônio de alguém. É possível que um fazendeiro, ou um simples dono de uma chácara perceba os frutos do pé de laranja que tenha no fundo do quintal e o venda. Isso é perfeitamente normal, porque um pé de laranja, de fato frutifica tão somente por ser um pé de laranja. Ao contrário, se deixarmos um punhado de variados metais, borracha, espuma e plástico no quintal da casa do proprietário, nem após 3 safras de laranja, teremos um carro montado. O proprietário então, depende de um outro fator para fazer esse punhado desorganizado de materiais tornar-se um bem de alto valor econômico. Ele precisa de alguém que trabalhe esses materiais.

Durante a história, houveram diferentes regimes que visavam, de formas distintas disponibilizar uma quantidade de mão de obra, disponível aos membros da elite. Ou seja, diferentes categorias de escravos que produziam toda a riqueza para uma elite. Em regimes escravocratas, a frutificação do patrimônio se dava porque o próprio patrimônio tinha a habilidade de trabalhar, afinal os escravos eram parte do próprio patrimônio. Em uma sociedade capitalista, a situação é invertida. Ao invés de ter o direito sobre o trabalho do escravo, o capitalista tem o direito sobre o trabalho de qualquer um que trabalhe em bem dele próprio. Então a ficção de que tudo é passível de “frutificar como uma árvore frutífera” é uma ficção social necessária a manutenção desse direito, que é, como mostrou Adam Smith, o principal elemento que configura o capitalista.

Numa perspectiva mutualista, essa ficção é tomada como um absurdo. O único que tem o direito ao “fruto da coisa” é o elemento humano que a fez “frutificar“. Por outro lado, considerando o que o próprio Smith disse, se essa ficção morre e se o trabalho agrega direitos sobre a coisa, o capitalismo se perde, pois perde-se a tão preciosa liberdade do capitalista de “administrar o bem” como lhe interessar. E é claro, faz a operação comercial ficar pouco ou nada competitiva. Acontece que quanto mais trabalhadores do meio de produção puderem participar nos ganhos, tão menor será o direito do capitalista de perceber, sozinho, os “frutos” dos meios de produção.

SMITH, Adam; A riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas; São Paulo: Nova Cultural, 1996;

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Escola: Fábrica de despersonalizados


Quem nunca assistiu ao maravilhoso clipe Another brick in the wall do Pink Floyd? - (segue link do clipe a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=M_bvT-DGcWw, vale a pena conferir) - Afinal do que se trata tal clipe? De um problema que assombra a sociedade contemporânea: A educação.

Em primeiro momento é necessário perceber e avaliar o valor simbólico do trato da educação enquanto “problema”, tal simbologia implica frequentemente num olhar desesperançoso, fatalista, ou pessimista (em sua maioria das vezes). Mas também há um lado bom nisto, apresenta uma visão mais crítica da educação, basta lembrar que a educação medieval e moderna muitas vezes eram exaltadas com prestígio, como aplicadoras de um método pedagógico brilhante, adequado, aparentemente “bem-sucedido”, pensamento este compartilhado pela grande maioria da população e profissionais da educação, e aqui inclui-se professores, família, mídia, etc, um olhar acrítico da educação de tempos passados e, de certo ponto, ingênuo, por não considerar, ou não conhecer com mais profundidade os processos cognitivos de seus alunos, a função social da escola, estratégias eficientes de ensino, entre outros “pormenores”...

De certa forma, a educação contemporânea reconhece erros do passado e do presente, e não chega a ser tão presunçosa sobre suas perspectivas futuristas. Mas ainda há certas diferenças entre a escola pública e privada, diferenças que valem a pena ser ressaltadas e discutidas.

Boa parte das escolas privadas e de outras instituições educacionais privadas paralelas (como os famosos cursinhos, por exemplo), empregam ainda muitos métodos tradicionais inadequados e obsoletos, focando sobretudo o desempenho da memória e até mesmo “truques” para maior eficiência na execução de um vestibular. Obviamente, estas instituições adotam um eixo conteudista, porque, na visão destas, o principal objetivo educacional é formar um bom profissional. A lógica é simples: Os pais querem que seu filho faça uma faculdade, adquira uma profissão, consecutivamente um bom emprego, com o tempo adquirindo a capacidade de consumir, manter-se, e manter (se possível expandir) o patrimônio da família, ao longo das gerações, e surge uma escola apresentando-se como condutora dos "sonhos dourados". Uma situação puramente mercadológica, onde apresenta os agentes Empresa (escola) <> Cliente (pai), e um negócio (educação) com critérios (eficiência, produtividade, custo, etc). Numa comunicação bastante limitada, a Escola forma seu método de aprendizagem em função da expectativa do leigo comprador, um diálogo quase morto, que desconsidera inúmeros elementos fundamentais e essenciais da educação... Restringe-se ao “Quanto custa? Vale a pena? Vocês cumprem o que prometem?”, claro que não necessariamente com essas palavras, e não necessariamente há um diálogo direto e consciente com esta pretensão, muitas vezes implícita na procura pela aparente “melhor educação”, contudo, basta compreender e perceber que esta maneira de encarar e fazer educação é bastante simplista, ingênua, despreparada. Talvez seja inteligente e perspicaz lançar propostas puramente mercadológicas para a compra de refrigerantes ou video-games, mas com certeza não o é para avaliar uma proposta educacional. É necessário o diálogo, abrangente e inteligente, entre os alunos, professores, famílias, pedagogos, outros profissionais da área educacional, agentes produtivos, outras instituições, enfim a sociedade.

Já a escola pública pode ser considerada possuidora de uma visão pedagógica mais crítica, superando esse aspecto antiquado incrustrado na escola privada, analisando com rigor os métodos tradicionais focados numa educação conteudista e os criticando. O eixo que a escola pública adota se baseia no desenvolvimento de habilidades e competências, que são fundamentais para o cotidiano e para o aprendizado de outros saberes. O “saber fazer” é mais importante do que o “conteúdo em si”... Mas como se fundamenta essa máxima? As visões tradicionais encaram a escola e o professor como detentores do saber, uma visão errônea que muitas vezes leva a pensar que o saber é propriedade absoluto da escola. Há um saber (ou conhecimentos) todo aí disponível fora da escola, seja na literatura, na internet, nas enciclopédias, no meio familiar, nas artes, na música, na internet, nas instituições religiosas, nas mídias, etc. O aluno precisa perceber que o saber também se dá fora da escola, precisa entender que o processo de aprendizado se dará ao longo de toda a sua vida (inclusive após a vida acadêmica), para isso é necessário focar no desenvolvimento de habilidades cognitivas (como a interpretação de texto, leituras de gráficos ou de tabelas que apresentam informações de forma diferenciada, criatividade, etc), e no emprego de várias habilidades, mobilizadas amplamente com um objetivo, as famosas competências (como exemplo a compreensão de um artigo científico), o objetivo final: o desenvolvimento da meta-cognição (aprender a aprender), habilidade fundamental para a emancipação do indivíduo que aprende muito além da escola. Outro ponto bastante positivo da escola pública é o objetivo, já implícito na frase acima, de propor uma “educação essencialmente para a vida” (em oposição a educação essencialmente para o emprego). Mas com certeza o leitor deve perceber que a educação pública não vive tempos gloriosos, pois apesar de adotar um ponto de vista mais crítico, tem condições precárias para sua execução... Baixos salários (e outras remunerações) para os profissionais da área, burocracia excessiva, desnecessária e mal-empregada que só atrasa ou desestimula uma iniciativa mais ousada ou efetiva do professor, salas de aula lotadas, falta de comunicação entre as redes hierárquicas (muitas vezes motivadas pela provocação entre categorias de uma rede), desestímulo e despreparo de um professor, muitas vezes com uma visão anacrônica da educação na sociedade, desconsideração dos interesses e das sugestões dos professores por parte de pedagogos, burocratas, políticos, mídias e cidadãos em comum, a ignorância familiar sobre as visões da educação, a baixa (e pouco efetiva) participação familiar, a falta de situações culturais disponíveis ao desenvolvimento intelectual do aluno, enfim a lista é longa. E a proposta de formar um aluno preparado para vida, que “sabe fazer”, crítico, consciente e criativo se materializa numa proposta irrealizável. Mas ainda assim não podemos encarar essa escola com vontade de mudança metodológica e ideológica efetivamente coerente com seus objetivos teóricos, visto que dentro desta mesma escola se reproduz os valores simbólicos que limitam o homem ao emprego, como exemplo podemos citar o horário fixo e pouco flexível adotado pelas escolas, a organização das carteiras de uma forma bem sistemática lembrando uma esteira de produção, ou um sistema de notas (mais preocupado em classificar como “melhor, razoável ou pior” do que em perceber se o aluno de fato aprendeu), homogeneização do ensino, alunos tratados como números, muitas vezes uniformizados, todas estas características preparadoras para um homem operário, empregado, disciplinado, rotulado, contabilizado, subordinado num sistema que dele isso se espera.

Para enfatizar o caráter de despersonalização que a escola possui vou abordar como a despersonalização ocorre no mundo produtivo, então, basta ao leitor efetuar a ligação entre o preparador para a vida produtiva e a vida produtiva em si, percebendo o processo de despersonalização. O sistema econômico que vivemos é capitalista, o capital é a principal força econômica, o que implica em que os capitalistas (investidores, empresários, donos do capital, contratante de trabalhadores) são os principais agentes econômicos. Tais capitalistas necessitam de verdadeiros motores produtivos (empregados), que lhe garantem uma margem de lucro cada vez maior, precisam, portanto, de mão-de-obra qualificada, cada vez mais qualificada. Contudo os empregados, como empregados que são, não devem ter lá tanta iniciativa, tanta vida, tanta crítica, tanto pensar... É necessário produzir, e para produzir é muito importante deixar de pensar, a menos que os determinados “pensares” constituem-se ou implicam em formas de produzir. Contudo, com a crescente consciência e crítica da “classe dos proletários” é necessário métodos que impeçam pensamentos subversivos aos objetivos capitalistas (o pensar possibilita o rompimento dos laços de dependência), tais métodos destacam-se em dois grandes grupos: Os violentos e os ilusionistas, os violentos foram em grande parte vencidos pelas próprias circunstâncias no decorrer da história, enfim “apesar de tudo, vagabundos não merecem o açoite por ser o que são” (notem as aspas). Mas os ilusionistas permanecem poderosos: o apelo à ideologias que tornem inertes a iniciativa de se pensar, o trabalho passa a ser “santificado” à parte da vida, encaixa-se numa categoria bem definida: o emprego, verdades passam a fazer tanto sentido “Todo trabalho é digno”, “O trabalho enobrece o homem”, acaba se criando um pano de fundo propício a uma personalidade profissional a parte da pessoal, é importante que sejamos sujeitos profissionais, grandes profissionais, ainda que nossa vida pessoal seja uma ruína. Esta personalidade, exaltada aos poucos, gradualmente chegando a patamares de ovação, toma lugar da personalidade pessoal, a máscara passa a ser o reflexo da alma. Isso é bem notável no “mundo profissional”, pessoas preocupadas com o trabalho, produzir, ganhar dinheiro, sem levar em conta o “viver”. O resultado disso: stress, ansiedade, depressão, vícios, etc. O homem serve ao trabalho, quando o trabalho deveria servir ao homem. Mas qual seria a proposta alternativa a esta adotada na realidade? Perceber que o trabalho não é um elemento constitutivo a parte da personalidade do indivíduo. O trabalho é um item formador do indivíduo, em bem verdade não existe homem sem trabalho e vice-versa. Por isso é importante se preocupar em formar grandes pessoas, ao invés de meros grandes trabalhadores/empregados. Grandes pessoas são capazes de fazer um grande trabalho, e com uma visão muito mais solidária, já, nada garante que grandes trabalhadores (empregados profissionais) serão grandes pessoas. É importante se preocupar com a formação da personalidade do indivíduo, capaz de criar ao decorrer da vida e de se superar, e não dicotomizar de maneira tão presunçosa as dimensões da vida.

Por isso podemos notar que as escolas de hoje (em sua maioria) são fábricas de despersonalizados, pois, desde a infância preparam o homem para assumir uma personalidade profissional, em detrimento de sua própria personalidade, corroboram com o sistema que aí está, suprimem a criatividade, a crítica, expandem a capacidade de produzir, cria sujeitos eternamente dependentes de agentes dependentes de sua realidade dependente.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dos condicionamentos




Não sei quanto aos camaradas anarquistas, mas eu digo que percebi algo: nunca o ser humano foi bombardeado com tantos condicionamentos como o é agora.
Cada milímetro ao seu redor é um fator condicionante que, somados ou agindo isoladamente, acabam por moldar seu comportamento.
Sim, é claro que de certa forma isso é natural, é se avaliado do ponto de vista de um condicionante por si próprio não é diferente de antes - não no sentido de que ele sempre foi um ser condicionado pelo meio. Só que agora a coisa é mais perversa.
O grau de entendimento a que chegamos me dá confiança para dizer que esses condicionamentos não se dão mais de forma natural e espontânea, em realidade existe um controlo cada vez maior e irrestrito sobre os condicionantes do ser. Para citar exemplos, dentre eles estão os sons que ouvimos, (não estritamente músicas, mas sim todo espectro de sons a que nosso aparelho auditivo está sujeito), aquilo que ingerimos, naquilo que tocamos, e que, consequentemente afeta diretamente na forma como pensamos, nos nossos desejos afetivos e etc...

Repare ao seu redor, dê uma breve olhada e reflita sobre o que vê.
Não será preciso pensar muito, pois a própria pré-percepção, ou intuição visual já nos demonstra algo, mesmo que não estejamos pensando estritamente em algo. E a esse algo que está lá, a dialética que temos com ele e que concebemos nossos juízos é o que se chama de condicionamento. Através dos condicionamentos é que podemos afirmar que determinado algo é um objeto de nossa percepção.

Perceba agora, numa outra olhada ao redor, como tudo o que observamos é por nós de alguma forma um lugar-comum, tudo é cheio de formas geométricas, de cores, de símbolos, de significados, de emoções...
Todavia, muito pouco do que conseguimos capturar do meio é reflexo da nossa real percepção do que em realidade está nos condicionando. Em outras palavras, o "tomar consciência" de um fenômeno-realidade é um processo último, no qual se foi filtrado o "bruto" e que se tem uma percepção mais amena, suavizada.

Antes mesmo de ser formada a nebulosa conjunção mental a que chamamos de pensamento, as formas são apenas arquétipos mentais, que operam à nível não-consciente, e nem poderia ser diferente na medida em que ele se dá apenas por esse processamento não-consciente, como uma intuição por exemplo.

Bem, aonde pretendo chegar?
Como sou curioso e pretendo adentrar minuciosamente nessa análise, olho ao meu redor novamente, só que desta vez com um olhar mais intencional - e eis que nessa intencionalidade encontro o ser humano engendrado no meio em que vive, e que, atualmente é cada vez mais "seu". Todavia, meu olhar me releva algo aterrador: o que vejo é a manifestação da potência do homem se tornando o próprio fator em que se é processada sua própria degeneração.

O homem hoje alcança um grau de entendimento da natureza que lhe permite manipular os processos da vida de forma extremamente impressionante, todavia todo esse conhecimento foi construído sobre pilares patológicos, e eis que surge uma nova visão: tudo o que o home põe a mão, trabalha e cria, é sobretudo, um reflexo de sua potência.

Existe uma sobrecarga iminente sobre nosso aparato sensitivo, e esse bombardeio não é aleatório. O ser humano passa por uma etapa de sua existência em que é inegável o processamento de sua degeneração fisiológica.

O destino dos seres humanos hoje se encontra nas mãos de algumas poucas pessoas, que, pelo poder de afetar diretamente um sem número de pessoas, protagoniza um papél de algoz, todavia se vista de salvador; e o que quero atentar é para o fato de que essas pessoas são inescrupulosas, são o pior tipo de ser que existe no planeta; são degenerados consumidos pelas sua própria luxuria, cuja potência e energia é voltada para a execução enfadonha de suas vontades - são a essência do homem dito racional.

Num mundo em que a condição de ser passa a ser uma atribuição mercadológica, e onde toda a sociedade se engendra e no qual a própria dialética da existêcia da mesma passa a ser apenas em função desse mecanismo, O homem dito racional tem agora o poder que tanto desejou, porém o mais tolo sabe que o excesso - até mesmo de vitalidade - acarreta algum tipo de prejuízo, e que em nosso caso é uma aberração.

A humanidade toma ar, para quem sabe, num grito desesperado ainda tentar esboçar: salve-se quem puder. Talvez ela nem consiga tamanha modéstia.

Foi declarada guerra total contra a humanidade. E agora?

"Exercício de reflexão: toda vez que olhar para algo, investigue de que forma aquele algo lhe condiciona, com o tempo perceberá coisas que antes lhe pareciam não estar lá. (Por exemplo a imagem acima) É a mágica da percepção."

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Contador solitário.

A burguesia é como um contador criterioso, religioso em seu trabalho, obcecado com fechamentos eficientes e orçamentos "justos", de um Deus capitalista que vive na felicidade e na plenitude da vida, gozando os mais plenos sabores deste mundo.
É claro que um olhar rigoroso permite-nos notar que não existe tal Deus.
Apenas o contador, triste, sozinho, isolado na burocracia da fábrica.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Perdido no tempo

... Era jovem e promissor. Tinha um bom coração e uma pasta cheia de boas ideias, estudos e argumentos. Já não podia discernir quantas vezes havia passado pela porta daquele elevador. Talvez se pudesse contar, poderia ter certeza de que já não era jovem, de que seu cansaço era proveniente da idade e de um merecido descanso que jamais o deram. Mas sempre que entrava ali, sua mente falhava... Novamente... os olhos piscavam, levava dois dedos à cabeça, fechava os olhos com força... e o desconforto ia embora. Era o cansaço que o corroia. Sentia-se entorpecido e disperso. Afinal aqueles que nunca dormem, jamais acordam.

É interessante como não medimos as ideias na unidade de tempo que levamos para dizê-las por completo em nossas mentes. De lá, um gigantesco observatório, podemos ver todo o trabalho de nossas mentes e todas as relações que esses trabalhos mantêm entre si. Mas, por outro lado, não é possível desassociar essa tarefa do tempo. Por mais rápida que seja, e que seja tão rápida para fugir aos nossos olhos de vê-la funcionar, a mente trabalha em unidades de tempo. Por isso quem jamais tem tempo, jamais tem novas ideias. A mente fica estagnada, incapaz de fluir, muito embora várias das mentes estagnadas não sofram desse mal. Por isso dizemos que mentes que optam por não renovar seu acervo de ideias estão paradas em tempos obsoletos e passados. Enquanto o elevador fazia um movimento qualquer, ele tirava um minuto de sua rotina para descansar e pensar nas pequenas coisas que faziam esse inferno valer a pena. Então ele, como quem segue um roteiro, visita as partições do tempo em sua memória e do espaço em seu cérebro que guardam aquele precioso sorriso daquela linda mulher. Esposa... Quase não se lembra de como ela é exatamente, e se surpreende sempre que a lembrava. Como rever alguém familiar, mas que não tem lugar em sua memória. De como aquele doce sorriso compartilha um rosto com aqueles cabelos que já não se pode dizer se são escuros ou claros. Afinal, quem não tem a oportunidade de dedicar tempo às coisas importantes não pode lembrar muito bem do que lhe é importante. Mas ele é esforçado e consegue lembrar de sua esposa... ah sim, e de seus filhos também.

Então, o elevador para, as portas se abrem e ele adentra no corredor do andar de seu escritório. Um luxuoso andar, com o piso feito de mármore e janelas altas e panorâmicas. De lá podia ver tudo aquilo que não tinha valor algum. Um verdadeiro templo do poder, pois os reis daquele palácio podiam tanto que gastavam enormes somas com coisas que carecem de qualquer importância. Ele atravessa o corredor numa marcha que fez tantas vezes que se tornou irritante fazê-la. E era tão repetitiva que jurava havê-la feito antes de chegar em casa na noite anterior.

Então, ele abre a porta de seu escritório e atravessa a sala de espera onde pessoas, que não se sabe dizer quem são, o esperam com os mesmos problemas típicos que ele sabe que terá de resolver. Ele já não sabe notá-las, não sabe dizer no que elas se fazem diferentes umas das outras ou no que elas compartilham de semelhante com ele. Logo nota que já não sabe diferenciar se estiveram mesmo ali no dia anterior, esboçando assim uma conclusão, que logo descarta:

- Não, isso é absurdo. - diz suspirando e organizando os formulários sobre a mesa.

Seja lá o que estivesse pensando, já não era importante. A questão agora era o trabalho. Então ele começava a arrumar aquela mesa e a separar o trabalho que não havia terminado no dia anterior. Certamente era muito estranho e ruminava consigo mesmo: “Que trabalho é tão grande ao ponto de jamais estar acabado? Ou perdi minha capacidade em meu ofício e já não sei distinguir que trabalho não está acabado ao ponto de ver todos meus trabalhos como uma coisa só?” Então ele colocava aquela mesa em ordem e separava os formulários e documentos incompletos. Esses faria enquanto almoçava, e os faria com tamanha pressa que estariam prontos para serem protocolados antes do horário de almoço acabar. Então começava as entrevistas. E novamente teve aquela sensação de que não podia discernir entre as pessoas que se sentavam a sua frente para compartilhar com ele os problemas que os atormentavam, e para os quais esperavam respostas vindas dele. Chegava a ser irritante. Parecia até que a mesma pessoa, sem rosto, saia para dar-lhe folga aos ouvidos para voltar alguns minutos depois. Certamente era uma sensação inoportuna e o fazia perder a calma com os clientes, como se já houvesse dito a mesma coisa com o mesmo cliente nos últimos dias em que esteve trabalhando.

Essa estranha entrevista que se repetia a manhã toda o tirava do sério. Cada interrupção era extremamente desinteressante, inodoras, incolores e insípidas. Antes fossem interrupções sérias, antes fossem interrupções que de tão ruins ele teria a certeza de que nada seria o mesmo após as mesmas. Antes tivesse colocado a mão por debaixo da saia daquela colega e feito algo de errado. Antes fossem interrupções horrendas. Interrupção drástica de tudo. Fim dessa insuportável história sem fim. Daí dava-se conta de que aquilo não era algo que pudesse parar, pois não podia parar. Não podia tolerar a interrupção de si, pois ainda havia muito por fazer... Logo notava que essas interrupções eram completamente improdutivas e que por mais que almejassem o fim do trabalho, não contribuíam para tal objetivo. Então retomava o trabalho, certo de que agora terminaria todo o expediente da manhã, mas recorreria a tais interrupções de novo.

Após o expediente da manhã, e um pequeno atraso no início de seu almoço, ele começa a almoçar e a trabalhar no que ficara incompleto na noite anterior. O almoço em si toma a menor parte desse tempo, de forma que ele tem de comer algo rápido e simples. E a hora do almoço, que deveria durar uma hora, passa a ser de cinco minutos. Então ele termina o que não havia terminado na noite anterior.

A tarde era mais simples. Por uma questão de destino, ou de sorte, o escritório era menos frequentado nesse período. Mas ainda assim fazia consultas e atendimentos. Não saia do escritório nem para as audiências, pois outro advogado se encarregava de fazê-las. Os clientes que entravam em seu escritório, à tarde, não eram muito diferentes daquele cliente genérico que o tomava a paciência de manhã. No entanto, com maiores intervalos entre as entrevistas de tarde, sua paciência não ficava tão desgastada. Talvez por isso, à tarde, o trabalho parecesse mais produtivo. Tinha mais tempo para pensar sobre as questões que estudava. Eis que em algum momento, o cliente lhe narrava algum problema que lhe deixava apreensivo e inquieto. Em suma podia ser resumido na falta de atenção de algum burocrata. Alguém não estava fazendo o trabalho de forma adequada. Talvez o advogado anterior, talvez algum funcionário público descuidado. Dada a situação só podia concluir pela impotência do sistema e de como deveria ser mudado para que não sofresse de tal problema. Burocratas mais probos, mais estudados e menos negligentes. E nada o deixava tão curioso quanto as tais falhas. Afinal, se o sistema é cheio de vísceras, órgãos internos que tem por objetivo impedir erros, como era possível uma falha dessas? Então era ali que percebia que tinha algo de comum com seu cliente. O que devia lhe facilitar a vida era o que lhe sepultava a liberdade. Um sistema burocrático que tem tantas instâncias quanto falhas só pode servir à reprodução de um mesmo problema.

Era neste momento do dia que sentia compaixão por seus clientes. Era ali que sentia que tinha algo de comum com aquelas pessoas. Muito embora continuasse inapto para distingui-las. Mas não era algo que realmente fizesse diferença no trabalho. Servia-lhe de motivador, mas sabia que teria de redigir todos aqueles documentos, estivesse motivado ou não.

Ao final da tarde, geralmente, era requisitado por algum sócio de peso do escritório para analisar algum caso de relevância. Então ele passava essas horas do final do dia lendo e pesquisando um assunto que julgava banal e desinteressante. Essas horas finais eram maçantes, considerando que geralmente era uma questão delicada que exigia uma resposta até o fim do dia. E então quando tinha a resposta, momento que pertencia a sua rotina noturna, ele começava a redação e a organização dos documentos necessários para superar o problema. Então, já exausto do trabalho, se revoltava. Colocava os papeis em uma pilha separada. Argumentava para si mesmo, a fim de não se sentir culpado, que o expediente no juízo já havia terminado e que nada iria ser feito antes do dia seguinte. Então colocava algumas cópias na pasta, tomava o paletó em mãos e vestia-o. Saia da sala e dirigia-se ao elevador. A essa altura o prédio já estava vazio. Ele era o último a sair e os corredores estavam tão serenos como quando chegou. Atravessava o corredor desfazendo a marcha que fez de manhã. Entrava no elevador, e mesmo sabendo que algo daquilo iria se repetir, estava satisfeito. Alimentava a doce ilusão de que o trabalho lhe comprava tempo e de que se continuasse assim seria feliz e estaria descansando logo.

Era jovem e promissor. Tinha um bom coração e uma pasta cheia de boas ideias, estudos e argumentos. Já não podia discernir quantas vezes havia passado pela porta daquele elevador. Talvez se pudesse contar, poderia ter certeza de que já não era jovem, de que seu cansaço era proveniente da idade e de um merecido descanso que jamais o deram. Mas sempre que entrava ali, sua mente falhava... Novamente... os olhos piscavam, levava dois dedos à cabeça, fechava os olhos com força... e o desconforto ia embora. Era o cansaço que o corroia. Sentia-se entorpecido e disperso. Afinal aqueles que nunca dormem, jamais acordam...

sábado, 30 de outubro de 2010

Divagações - Do bom Filósofo

Um bom filósofo se reconhece por sua estirpe: está no modo de falar, pensar e no expressar - em todos os sentidos, tanto corporalmente quanto dialeticamente; todavia ambos se entrelacem - que desemboca na sutileza com que trata aquilo que diz.
Sua percepção, ao contrário dos intelectuais livrescos, é naturalmente apurada no sentido de ver questões filosóficas aonde elas estão - ou seja: em todo e qualquer lugar, e em lugar nenhum.

Torna-se, portanto, desnecessário - e até em certa medida é sinal de "má postura" - o tratamento de questões sempre pelo viés dicotômico, que vê filosofias aonde há Filosofia.

Tal sintoma não é ao acaso: trata-se de um resquício remoto de um iluminismo, que engendra-se na própria linguagem; e eis porque o bom filósofo, mesmo que limitado pela linguagem, apodera-se da poética - que ao meu ver é o que de melhor a linguagem pode nos oferecer de, e também o seu lado mais belo - para deliberar sobre assuntos que, todavia é um todo holístico e considerável enquanto fenômeno.
No entanto, muitas vezes o bom filósofo deve permanecer em silêncio, - que em verdade é o que mais tem a "dizer" e também um reflexo de sua generosidade - mesmo que seu silêncio só seja de fato compreendo por ele mesmo e por pessoas de percepção igualmente apurada.

Em síntese, tal frase encerra um bom alvitre: não se pode aprender "filosofias", só se pode aprender a Filosofar.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Limbo

Hoje mesmo estava lendo uma série de artigos de blogs que tem por ai. Em sua maioria, adeptos do liberalismo discutindo pormenores da “liberdade” consagrada por eles. Então, um deles, por exemplo, mostrava que o sistema de produção baseado na livre concorrência e na livre iniciativa (veja bem, ele não usou a palavra capitalista) teria erros. Mas mesmo com esses erros, que segundo ele tratam-se de pormenores que afetam apenas a quem não trabalha, tal sistema de produção de riquezas é o melhor que existe.

Mesmo que “houvessem” tantos erros “assim como dizem os comunistas”, ainda sim seriam “perdoáveis”. O sistema baseado na livre iniciativa, seria segundo ele, pleno porque consagra o mínimo necessário de liberdade para que todo homem realize a plenitude de sua própria liberdade. O trabalhador não pode reclamar, afinal ele é livre, e qualquer liberdade maior que essa vai contra os princípios da boa manutenção da propriedade.

A rigor, um monte de lorota mal escrita. Mas achei interessante, porque se esse tipo de discurso liberal (que encontramos muitas vezes por ai) for colocado para contrastar com dados, denuncias e outros discursos, nota-se um vazio discursivo, ocupado pelos marginais, excluídos, pobres e todo tipo de gente que simplesmente não consegue “comprar o título de nobreza”.

Pode ser que um estudo mais profundo o descreva tal vazio de forma diferente. E para falar a verdade, não me surpreenderia se um estudo profundo notasse que tal "espaço" não existe. Até agora, ele é simplesmente o espaço discursivo que o capitalista-liberal tem de aceitar e o capitalista-rei reprime. É a exata diferença entre um “democrata liberal” e um “estatizante opressor”. A impressão que eu tenho, é que essa diferença de discurso existe para tornar o liberalismo apresentável. Uma alternativa "liberal" ao próprio capitalismo, como se ambas alternativas fossem, na verdade, representações da “democracia” e do “autoritarismo”.

Como esse espaço se configura? Ele configura-se a partir das liberdades mínimas conjugadas com as vozes dos corpos “marginalizados”. A manutenção das liberdades “fundamentais” em corpos engajados em protestos. Sindicalistas, feministas, anarquistas, comunistas, pobres e etc... Quando esses corpos produzem discursos que denunciam a sorte a que são deixados, os oradores das políticas “liberais” logo colocam-se de forma a exibir o quão “vagabundos” são esses “arruaceiros” ou o quão lindo é isso de direitos fundamentais e quão importante é fazer a manutenção desse sistema que tolera a existência resistida desses corpos. No capitalismo você é explorado, enquadrado, taxado, controlado, entre outras coisa. E esse espaço é justamente onde o liberal transforma a crítica a economia política em apologia ao “uniforme liberal da democracia”.

Esse é o limbo bizarro ao qual estão condenados os oradores “contra-capital”. Esse maravilhoso “espaço” que faz a agonia de ter de protestar parecer uma festa democrática. Onde a razão do protesto é “traduzido” num gozo político. Razão de protestar se equipara a razão de ser feliz. Espaço onde insatisfação só pode ser entendida como satisfação. É esse tipo de coisa que me faz concluir que não somos livres... Apenas fomos esquecidos.